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AQUECIMENTO GLOBAL
Mudanças climáticas: catástrofes no Paquistão e na Rússia
Qual seria a relação entre a onda de calor que cobriu Moscou, a capital russa, com uma espessa neblina de fuligem, e as chuvas que causaram inundações no Paquistão ? Para cientistas que estudam as mudanças no clima da Terra, ambas as tragédias, ocorridas nos meses de julho e agosto deste ano, poderiam ser efeitos do aquecimento global.

No Paquistão, as piores enchentes em 80 anos deixaram mais de 1.600 mortos e afetaram 20 milhões de pessoas - aproximadamente 11% da população do país, que possui 177 milhões de habitantes. As inundações destruíram casas, plantações e danificaram a infra-estrutura de cidades.

Seis milhões de paquistaneses que sobreviveram às cheias (incluindo 3,5 milhões crianças) correm o risco de contraírem doenças, como a
cólera, devido à contaminação da água.

Em visita ao país no dia 15 de agosto, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU),
Ban Ki Moon , disse que o desastre é o maior que já viu na vida, e autorizou o envio emergencial de US$ 459 milhões (R$ 811 milhões) para o Paquistão.

Já na Rússia, a maior onda de calor em mil anos causou mortes e prejuízos ao país. Desde o começo da seca, em maio, 52 pessoas morreram, e a taxa de mortalidade em Moscou dobrou devido ao calor e à fumaça de incêndios florestais.

A temperatura na capital atingiu o recorde de 39 graus, no dia mais quente já registrado. Os níveis de
monóxido de carbono chegaram ao dobro do aceitável, obrigando os russos a usarem máscaras nas ruas.

Os incêndios ainda destruíram um quarto das terras usadas para o cultivo de cereais (a Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de trigo, centeio e cevada). Para garantir o abastecimento doméstico, o governo suspendeu as exportações até o final do ano.

Havia também o perigo dos incêndios chegarem à usina de Mayak, nos Montes Urais, e
Chernobyl , locais onde ocorreram desastres nucleares nos anos de 1957 e 1986, respectivamente. O fogo poderia espalhar partículas radioativas presentes no solo contaminado desses lugares.

O calor também bateu recordes e provocou incêndios em países europeus como
Portugal e Grécia, além de inundações na China . Para especialistas, esses eventos teriam sido parcialmente provocados pelo aquecimento global, resultado do efeito estufa .

Terra mais quente

O efeito estufa ocorre quando a energia do Sol se acumula na atmosfera terrestre, elevando a temperatura do planeta. Ele é causado pela emissão de seis tipos de gases, como dióxido de carbono (CO2) , metano (CH4) e óxido nitroso (N2O) . O dióxido de carbono é o mais abundante e duradouro na atmosfera. Ele é liberado pela queima de combustíveis fósseis (petróleo, gás e carvão natural), que constituem a principal fonte de energia das economias mundiais.

O efeito estufa é um fenômeno natural e necessário para a vida no planeta, pois permite que a Terra retenha o calor indispensável para a sobrevivência dos seres vivos. O problema é que, com o aumento da poluição a partir do século 19, houve um desequilíbrio nesse processo, o que provocou o aquecimento global.

Alertados por cientistas, os governos mundiais começaram a se preocupar com
questões ambientais nos anos 1980. O último relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, na sigla em inglês), divulgado em 2007, apontou que a temperatura no mundo subiu 0,74% no período de 1906 a 2005, devido à atividade humana. E, se nada for feito, haverá um aumento em 4 graus Celsius até 2100.

Se isso acontecer, espécies de animais e vegetais serão extintas, haverá prejuízo para a agricultura, falta de água, ondas de calor e ocorrência de
tufões e furacões . O derretimento das calotas polares elevará o nível dos oceanos, inundando as regiões costeiras do planeta.

Kyoto

Segundo a Organização Meteorológica Mundial da ONU, 2010 pode ser o ano mais quente desde o início dos registros de temperatura em meados do século 19 XIX, ultrapassando o recorde de 1998.

Para os cientistas, o risco de ocorrerem ondas de calor semelhantes às que mataram 35 mil pessoas na Europa em 2003 é, hoje, duas vezes maior por conta das alterações climáticas no planeta. A comunidade científica estuda, agora, métodos e tecnologias mais precisas na previsão de catástrofes como as ocorridas no Paquistão e na Rússia, além de buscar acordos que permitam a redução de poluentes.

A maior dificuldade, no entanto, é contar com o consenso entre as duas maiores potências econômicas do planeta -
Estados Unidos e China -, que são, também, os países mais poluidores do planeta.

Em dezembro do ano passado, foi realizado, em Copenhague, capital da
Dinamarca, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15). O objetivo era estabelecer metas internacionais - que irão substituir o Protocolo de Kyoto após 2012 - de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa.

Após duas semanas de negociações, a COP 15 terminou com um acordo tímido entre Estados Unidos, China, Brasil, África do Sul e Índia. Os participantes concordaram com a necessidade de se limitar o aquecimento global em 2 graus Celsius. Porém, não houve avanço no que concerne a metas assumidas por governos ou garantias da assinatura do documento que substituirá o Protocolo de Kyoto.

De concreto, foi criado um fundo anual de 100 bilhões de dólares até 2020 para ajudar os países pobres a colaborarem com planos de combate ao aquecimento global.

Direto ao ponto 
Catástrofes ambientais ocorridas na Rússia e no Paquistão, nos meses de julho e agosto deste ano teriam sido parcialmente provocadas pelo aquecimento global, de acordo com cientistas.

No Paquistão, as piores enchentes em 80 anos deixaram mais de 1.600 mortos e afetaram 20 milhões de pessoas - um quinto do país, que possui 180 milhões de habitantes. As inundações destruíram casas, plantações e danificaram a infra-estrutura de cidades.

Na Rússia, a maior onda de calor em mil anos causou mortes e prejuízos ao país. Desde o começo da seca, em maio, 52 pessoas morreram e os incêndios destruíram um quarto das terras usadas para o cultivo de cereais (a Rússia é um dos maiores exportadores mundiais de trigo, centeio e cevada).

Segundo a Organização Meteorológica Mundial da ONU, 2010 pode ser o ano mais quente desde o início dos registros de temperatura em meados do século 19 XIX, ultrapassando o recorde de 1998.

Para os cientistas, o risco de ocorrerem ondas de calor semelhantes às que mataram 35 mil pessoas na Europa em 2003 é, hoje, duas vezes maior, por conta das alterações climáticas no planeta.

Em dezembro do ano passado, foi realizado, em Copenhague, capital da Dinamarca, a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 15). O objetivo era estabelecer metas internacionais - que irão substituir o Protocolo de Kyoto após 2012 - de redução da emissão de gases causadores do efeito estufa. O resultado, porém, não trouxe garantias de cooperação dos governos.

Saiba mais

  • O aquecimento global (PubliFolha): livro escrito pelo jornalista Claudio Angelo, que analisa as causas do fenômeno, as consequências para a humanidade e as soluções.
  • Como combater o aquecimento global (Publifolha): a proposta deste livro de Joanna Yarrow é ser um manual prático de ações individuais que podem minimizar os impactos no meio ambiente, como reciclagem, isolamento térmico e irrigação de jardim.
  • Seis graus - o aquecimento global e o que você pode fazer para evitar uma catástrofe (Zahar): livro de Mark Lynasque mostra as previsões de cientistas sobre o aquecimento da Terra e suas consequências.
  • O Dia Depois de Amanhã (2004): filme baseado na hipótese de que os efeitos das mudanças no meio ambiente levariam o mundo a uma nova era glacial.
  • Uma Verdade Inconveniente (2006): documentário em que o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Al Gore, explica o aquecimento global e as propostas do Protocolo de Kyoto.
  • A última hora (2007): documentário narrado e produzido por Leonardo DiCaprio com entrevistas com diversas autoridades sobre os danos causados ao meio ambiente e discussão de alternativas.
FONTE: UOL