Profissões

QUÍMICA
Inúmeras possibilidades de trabalho são atrativos da química

Profissional pode trabalhar na pesquisa, na indústria e lecionando.
O curso superior escolhido é que vai definir a forma de atuação.

Atuar numa plataforma identificando petróleo, estudar combustíveis menos poluentes, prestar consultoria ambiental, trabalhar com saneamento, criar produtos alimentícios ou cosméticos, formular novos tons para uma linha de tintas. Todas essas atividades podem ser desenvolvidas por quem escolhe a química como formação superior.

Além do laboratório ou da sala de aula, há milhares de possibilidades de atuação. Afinal, onde há trabalho com substâncias, há um químico por perto. E a multiplicidade de áreas é um dos atrativos da carreira.

De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), o faturamento anual de 2006 da indústria química foi estimado em US$ 80 bilhões. “A indústria absorve bastante gente. E ainda temos espaço para crescer. A palavra básica agora é ‘inovação’. Por isso, é necessário um profissional muito bem formado”, afirma Oswaldo Luiz Alves, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e ex-presidente da Sociedade Brasileira da Química.

Quem quer atuar no ramo químico precisa conseguir registro no Conselho Regional de Química (CRQ). Os tipos de atribuições concedidas pelo órgão estão relacionados à formação do profissional. Assim, o tipo de curso de graduação escolhido vai influenciar na hora de procurar emprego.

As instituições de ensino oferecem, em geral, três variações de curso superior: o bacharelado, o bacharelado com atribuições tecnológicas e a licenciatura. “Quem procura o bacharelado puro, costuma seguir para a pós-graduação e para a pesquisa. Quem faz licenciatura, em geral, pretende lecionar no ensino fundamental e médio. E as atribuições tecnológicas são para quem pretende ingressar na indústria”, diz Mauro Bertotti, presidente da Comissão de Graduação do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP).

Como é o curso?

Na USP, os três tipos de curso têm um núcleo comum de disciplinas, concentradas principalmente nos dois primeiros anos. “No início, há muita química, física e matemática. Muitos alunos vêm para cá pensando que vão para o laboratório de cara. Mas o domínio da química depende muito de um instrumental das outras disciplinas. O aluno, às vezes, se decepciona no começo. Mas, depois do primeiro e do segundo ano, ele tem muitas opções de disciplinas”, aponta Bertotti.

O diferencial do curso da USP, segundo o professor, é a possibilidade de orientar a formação de acordo com os interesses pessoais. A partir do terceiro ano, o estudante pode selecionar disciplinas em várias unidades da universidade. O mesmo acontece na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Se o aluno tem interesse por bioquímica ou por petroquímica, por exemplo, escolhe cursar cadeiras que agreguem conteúdo ao seu interesse.

Entre as universidades há algumas variações. É possível conseguir as três atribuições na USP. Já na UFRJ, o estudante escolhe entre a licenciatura ou o bacharelado com atribuições tecnológicas. Se escolher a licenciatura, poderá, com mais seis disciplinas, obter o título de bacharel também. Para complementar a formação, pode ser necessário estendê-lo por mais de quatro anos.
 

Outra atividade prevista em currículo de várias entidades é o estágio ou iniciação científica. Na USP, por exemplo, para obter o certificado, é preciso realizar um semestre de pesquisa em laboratório da instituição ou externo. Já, na Unicamp, quem quiser concluir o bacharelado que confere atribuições tecnológicas, precisa passar por estágio. Na UFRJ é obrigatório realizar uma monitoria, iniciação científica ou estágio.