Profissões

PILOTOS E COMISSÁRIOS DE BORDO
Maioria dos profissionais faz cursos em escolas de aviação civil. Para pilotos, a tendência é a exigência de diploma de curso superior.
Pilotos e comissários de bordo não têm rotina. Eles vivem de malas prontas e se pela manhã estão em uma cidade, na hora do almoço provavelmente estarão em outro lugar. Esses dois profissionais, que têm vivido momentos difíceis com a crise aérea brasileira.

Ao lado dos mecânicos de vôo, os pilotos e os comissários de bordo compõem a tripulação de uma aeronave. Os pilotos operam os equipamentos e são responsáveis pela segurança dos tripulantes, passageiros e do próprio avião ou helicóptero. Já os comissários garantem que todas as normas de segurança do vôo estão sendo cumpridas, atendem aos passageiros e executam o serviço de bordo.
 
"A gente trabalha por escala. Então temos a previsão de como serão os próximos 15 dias. Também tem o fato de que às vezes podem sair vôos de última hora", conta Marco Villani, 29, comissário de vôo internacional.

Os profissionais afirmam que a vida de viagens é muito estimulante, pois permite conhecer lugares diferentes. No entanto eles dizem que as relações familiares e sociais ficam prejudicadas. "Quando você se dedica com afinco à profissão, você vive para voar.  A sua vida vira uma mala e um quarto de hotel. Não existe fim de semana nem feriado e há uma quebra na interação com a família e amigos", comenta Villani.
 
As áreas de atuação de comissários são as companhias aéreas e os táxis aéreos. Já os pilotos também podem trabalhar como instrutores em escolas, na aviação executiva, na aviação agrícola e em serviços aéreos especializados, como UTI aérea e aerofotogrametria.
 
O Sindicato Nacional do Aeronautas estabelece pisos nacionais para as duas profissões que variam de acordo com a área de atuação. Para pilotos da aviação comercial o piso é R$ 2.000 para 54 horas diurnas mensais de vôo. Já para os comissários, o valor é de R$ 1.000 para o mesmo período.
 
Segundo o responsável pela secretaria de regulamentação profissional do sindicato, Marco Reina, as empresas pagam mais do que o piso e somadas as horas a mais trabalhadas (há um limite de 85 horas mensais), os adicionais noturnos, de feriados e domingos e as diárias de alimentação, os profissionais conseguem dobrar os salários.   
 
De acordo com a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), já foram concedidas 17.236 licenças para pilotos no Brasil. Desse total, 5.108 são para pilotos de linha aérea (aviação regular). O número de comissários de bordo habilitados é bem maior: 27.866. 



Investimento na formação

A maioria dos profissionais faz cursos teóricos e práticos em escolas de aviação civil homologadas pela Anac. Essa agência também é responsável por aplicar as provas e conceder as habilitações de pilotos e comissários.

No entanto a tendência é que se exija diploma de graduação para pilotos. Segundo dados de 2005 do Ministério da Educação (MEC) existem 15 cursos de ciência da aviação no país.
 
Os cursos de graduação oferecem a formação teórica, mas a parte prática é feita em escolas e aeroclubes. De acordo com a Anac, existem 261 escolas de formação de pilotos e comissários no Brasil.
 
A carreira de piloto tem diferentes habilitações e exige um investimento total de cerca de R$ 70 mil. A primeira é a de piloto privado (PP), que exige um curso teórico de cerca de quatro meses e 35 horas de vôo acumuladas.
 
Ao final do curso, o aluno faz o exame da Anac e recebe a licença para conduzir aeronaves, mas para ser remunerado é preciso obter a licença de piloto comercial (PC), que exige um outro curso, cem horas de vôo para helicópteros e 150 horas para aviões. "As habilitações funcionam como degraus na carreira de piloto. A última carteira é a de piloto de linha aérea (PLA), necessária para ser comandante", explica Costa.
 
Nos cursos para piloto, os alunos têm aulas de regulamentação (regras de tráfego aéreo, profissão, aviação civil), meteorologia (saber interpretar informações meteorológicas), navegação aérea, teoria de vôo ou aerodinâmica (comandos para manobras, princípios), conhecimentos técnicos e motores. A parte prática são as horas de vôo.
 
 Formação de comissário


Já para se formar comissário, é necessário um curso de cerca de quatro meses com uma série de matérias divididas em quatro grupos: emergência, segurança e sobrevivência; regulamentação; fisiologia de vôo; e conhecimentos gerais de aeronave. Esses profissionais também fazem a prova da Anac.
 
Além do curso de formação, o comissário deve investir em um curso de idioma, preferencialmente inglês, e cuidar da aparência", diz Reina. Segundo ele, um bom comissário deve ter vocação para lidar com o público, ser simpático, paciente, cortês e estar sempre disposto para dar o melhor de si em situações adversas.