Profissões

GERONTOLOGIA
Cursos de gerontologia foram criados para atender a demanda de idosos no país. Profissionais estudam o envelhecimento e lidam direto com pessoas da terceira idade.
Num país em que quase 10% da população tem 60 anos ou mais, envelhecer com saúde e disposição é um dos principais desafios. E foi pensando em formas de superar esses desafios que surgiram os cursos superiores de gerontologia, nas modalidades tecnólogo e bacharelado.
 
Para entender quais são as atribuições de um gerontólogo, primeiro é preciso saber a diferença entre gerontologia e geriatria. Segundo a professora Ângela Maria Machado de Lima, coordenadora da graduação de gerontologia da Universidade de São Paulo (USP), a gerontologia é a ciência que estuda o envelhecimento humano, enquanto a geriatria é a especialidade médica que trata as doenças das pessoas idosas.


"São atividades da gerontologia todas aquelas que se referem ao processo do envelhecimento, longevidade e terceira idade que não forem atividades de diagnóstico e tratamento, pois essas são atividades exclusivas dos médicos geriatras ou de outras especialidades voltadas ao atendimento do idoso", explicou a professora.
 
Assim, os cursos de gerontologia existentes atuam basicamente com o mesmo propósito: de entender o processo do envelhecimento e proporcionar ações que permitam ao idoso envelhecer com saúde e com mais qualidade de vida.
 
Segundo a professora Ângela, o curso da USP é oferecido na modalidade bacharelado e tem quatro anos de duração. Ele tem como objetivo formar gestores de atenção em gerontologia e desenvolver uma modalidade de formação para impactar positivamente no processo de envelhecimento, na qualidade de vida do idoso e na sua família. São três eixos principais:
 
Bases biológicas do envelhecimento, cuidados e promoção da saúde;
Fundamentos de psicologia para gerontologia e
Envelhecimento, cultura e sociedade.
 

 
 

"O curso contempla um conjunto de disciplinas que ampliam os estudos e as práticas relacionadas ao envelhecimento. Os alunos entram em contato com princípios da atividade física, fisioterapia, nutrição, lazer, turismo, informática, saúde bucal, pedagogia, todas dirigidas à atenção do idoso", disse. "Além disso, os profissionais serão preparados para investigar o envelhecimento humano e serão habilitados em contribuir para que os idosos saudáveis e aqueles com problemas de saúde ou sociais tenham uma melhor qualidade de vida", disse Ângela.
 
 Tecnólogo


Na Universidade Santa Cecília (Unisanta), em Santos, o curso de gerontologia é oferecido na modalidade tecnológica, com dois anos de duração. Segundo a professora Cristina Maria Simão, o curso tem como objetivo principal estudar a parte social e familiar do idoso e foi criado para atender uma demanda cada vez maior de idosos no país. "A população está cada vez mais velha e o país não está preparado para isso", disse.
 
Segundo Cristina, o profissional é multidisciplinar e pode atuar em vários locais, como em casas de longa permanência (casas de repouso de idosos); em programas de inclusão; em programas de desenvolvimento social do idoso; em hospitais; prefeituras e até mesmo em ONGs.
 
Para a professora, para ser um bom gerontólogo, o profissional precisa quebrar os tabus do envelhecimento. "A partir do momento que a pessoa quebrar o tabu do envelhecimento e oerder esse medo ela se torna uma pessoa melhor e conseguirá transmitir isso para os outros", disse.
 
 Um raio-X do envelhecimento

Segundo a Síntese de Indicadores Sociais de 2005 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas no país com 60 anos ou mais era superior a 18 milhões em 2005 (o que representa quase 10% da população total).
 
Além disso, o número de pessoas com mais de 80 anos alcançou a marca de 2,4 milhões de pessoas, sendo a maioria delas mulheres. O Brasil também possui 11.422 pessoas com 100 anos ou mais, sendo 7.950 mulhrees e 3.472 homens.
 
A expecativa de vida ao nascer será de 78,3 anos em 2030, sendo que em 2005 essa expectativa era de 72,05 anos.